Como eles usam uma tal de ultima ratio para acabar com suas liberdades

Como eles usam uma tal de ultima ratio para acabar com suas liberdades


Você gosta de tomar uma cervejinha? Enquanto assiste a uma partida de futebol? Então você é um arruaceiro que só quer arrumar briga e já fez tumulto e praticou violência em estádios! Não? Você não briga com ninguém? A última vez que você brigou foi ao morder um coleguinha no jardim de infância?

Então porque raios você é que é punido exemplarmente com a proibição de tomar cerveja em estádios, pra curtir seu futebol regado com a gelada, e não os bandidos que fazem tudo aquilo? Apresento a vocês a ultima ratio dos juristas: aquela que quer impunidade ou punições brandas pra quem comete crimes e acha que outras áreas do direito devem ser usadas em vez do penal – leia-se proibir coisas que a maioria faz sem cometer malfeitos, só porquê uma ínfima minoria comete. Essa é a ultima ratio, ao menos como é aplicada no Brasil.

Conceito criado por Ferrajoli, um juiz italiano ligado a movimento de esquerda da magistratura, está inserido no que ele chama de axiomas. Curioso é que axioma é aquilo que não precisa ser demonstrado.

Mais ideológico que isso só chamar um jornal de Pravda (verdade em russo). O tal axioma afirma que “Não há lei penal sem necessidade”. Ah, você concorda com essa frase? Também sou tentado a concordar, no entanto, olha o perigo: o que é necessidade? Se o que eu acho necessário é um pouco ou muito diferente do que você acha, então só a vontade da maioria pode definir um consenso: o voto, a eleição de representantes no Congresso. Enquanto pra nós necessário é o que a necessidade assim considera e gera a lei ou a manutenção da lei existente, feitas pelo Congresso que elegemos, esse ‘axioma” de sentido muito subjetivo serve para outro raciocínio por alguns julgadores e operadores do direito “eu é que digo se é necessária ou não a lei”. Enfim, quem deve aplicar a lei a afasta alegando um suposto axioma que não está nem em nossa lei nem na Constituição: sim, a Constituição não adota essa famigerada ultima ratio.

Quero reafirmar a você, cidadão, pagador de impostos, que meu compromisso é com a Sociedade, com a Democracia, com o cumprimento da Lei, e, como você, não consigo entender que alguns coloquem o criminoso acima dos demais indivíduos. Não posso acreditar que existem pessoas que querem colocar culpa na Sociedade, na pobreza, se essas, muitas vezes, se acham acima da Sociedade e mal conhecem a pobreza, ainda mais quando sei, por experiência própria que pouquíssimos pobres são criminosos: quase todos trabalham e lutam dignamente por uma vida melhor. Basta de ofenderem quem é pobre, olhem a Lava-Jato, por exemplo. Você consegue perceber a intenção pelo discurso: pois note que parte dos que vivem falando que só prendem pobres, que querem criminalizar a pobreza são os que mais defendem os corruptos ricos que estão sendo investigados e presos pela Lava-jato.

Enfim, hoje estão usando essa famigerada ultima ratio, essa vontade de não aplicar o penal nos culpados para tirarem boa parte da liberdade dos inocentes. Colocam velocidades ridículas para trafegar nas marginais de São Paulo, proíbem cerveja nos estádios, e proíbem o cidadão habilitado e de bem de ter meios para sua legítima defesa em vez de punir penalmente e de forma dura os baderneiros, os que matam no trânsito e os que usam armas (quase sempre ilegais e imunes a estatutos demagógicos que contrariam o referendo) para cometerem crimes…

Que país é esse? Porque insistimos em destruir a credibilidade do Direito? Por que protegemos mais o criminoso que a vítima?


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