Bruno Bioni analisa a proposta brasileira de regulação da inteligência artificial em evento da Anatel

Bruno Bioni analisa a proposta brasileira de regulação da inteligência artificial em evento da Anatel


No dia 14 de fevereiro de 2025, Bruno Bioni participou do seminário internacional sobre convergência digital promovido pela Agência Nacional de Telecomunicações- Anatel, cujo foco era o papel multissetorial na regulação das telecomunicações. O evento, que anunciou o fim da presidência de Leonardo Bortoletto com o consequente início da gestão de Fabrício da Mota Alves, também foi marcado por importantes debates.

 Ao lado de Paloma Rocillo, Ricardo Castanheira, Samara Castro e do novo presidente Fabrício da Mota Alves no painel sobre inteligência artificial, Bruno Bioni analisou as semelhanças e diferenças entre o cenário regulatório na Europa e a proposta brasileira atualmente em debate. 

Naquilo que se assemelham, Bruno Bioni pontuou que os cenários refletem o conceito de “interoperabilidade regulatória possível”, e  se orientam a partir de uma regulação baseada em risco, advinda, por sua vez, das pautas dos fóruns multilaterais, como OCDE e UNESCO. Aliás, como destacado na fala do Bruno Bioni, essa interoperabilidade não se restringe ao cenário europeu em relação ao brasileiro, mas globalmente, e é crucial para a integração econômica e convergência digital internacional.

Ao comparar a proposta brasileira de regulação da inteligência artificial com o modelo europeu, Bruno Bioni destacou o impacto das divergências entre ambos os sistemas. Durante sua análise, mencionou o renomado Relatório Draghi, elaborado por Mario Draghi — ex-presidente do Banco Central Europeu e ex-primeiro-ministro da Itália —, que examina os desafios da União Europeia (UE) em termos de crescimento econômico e competitividade. Um dos eixos centrais do relatório trata da regulação da inteligência artificial, e, segundo Bioni, a principal crítica de Draghi recai sobre o enfoque excessivo da abordagem europeia na regulação ex ante, em detrimento de um modelo ex post. Para Bioni, essa diferença representa um dos maiores contrastes entre a proposta regulatória brasileira, que já reflete o impacto de diversas rodadas de escuta ativa e a adoção de uma estrutura mais voltada à regulação ex post.

Para Bruno Bioni, a escolha do modelo regulatório na proposta brasileira está alinhada ao arranjo institucional previsto no país, representando outro grande contraste em relação à abordagem europeia. Enquanto a União Europeia propõe a criação de um AI Office – um órgão centralizado com mandato regulatório para temas específicos, como inteligência artificial generativa –, delegando aos Estados-membros a definição dos mecanismos de enforcement em seus territórios, o Brasil propõe um sistema brasileiro de governança e regulação de inteligência artificial, adotando um modelo de governança que valoriza a expertise setorial das agências reguladoras já existentes. Essa diferenciação reflete uma opção brasileira por um sistema mais descentralizado e adaptado às particularidades dos setores regulados.

Em conclusão, na análise de Bruno Bioni, esse cenário de divergências e semelhanças revela algumas particularidades sobre a proposta brasileira, principalmente, a adoção de uma abordagem regulatória mais ex post e menos ex ante; e  a previsão de um arranjo institucional descentralizado, que privilegia o papel das agências reguladoras setoriais.  Tal combinação faz com que a existência de uma lei geral sobre inteligência artificial não sufoque, mas ao contrário, abra espaço para florescer uma governança setorial e contextual ao uso da tecnologia e, ainda, potencialmente corrija as assimetrias regulatórias que gerem distorções competitivas.

A íntegra do evento pode ser acessada no seguinte link: Convergência Digital: O Papel Multissetorial na Regulação das Telecomunicações

Fonte: Bruno Bioni

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